Janeiro 14, 2007

... e 250: vemo-nos na minha nova casa

:: passai visitar-me a http://caminhos.gzpt.orgDesde o 14 de dezembro (faz hoje um mês), tenho nova casa. Espero que passeis visitar-me sempre que podais fazer um alto no caminho. Não me decidira antes a apresentá-la aqui porque ainda tinha de adecentá-la um bocadinho, ademais de familiarizar-me com todas as vicissitudes do novo Blogger.

Vemo-nos!

Outubro 23, 2006

245, 246, 247, 248, 249... a conta acaba aqui (de momento)

Muito choveu já desde aquele 15 de fevereiro de 2005. Foi nessa data que dava eu os primeiros passos de Madeira de Uz, o segundo blogue criado por mim. Contrariamente ao anterior, este espaço nasceu como necessidade de terapia pessoa, já que eu não me encontrava no meu melhor (quem me ia dizer que atoparia a mencinha apenas uma semana :: variedade de uzesdepois ;-)

O caso é que me serviu de terapia, digo, mas não só. Frustradas dous meses atrás as minhas ilusões de acabar em certo meio digital, como bom amante da tecnologia e como pessoa que "gosta de foçar no código fonte" (piropo de Manolo ;), utilizei o blogue como campo de provas tanto no que tem a ver com o desenho quanto o uso de todo tipo de gadgets. Decerto, andar chafulhando no apartado técnico aumentou os meus conhecimentos (sobretudo no uso das CSS). Igualmente, a prática de enviar periodicamente posts também me valeu para simplificar a minha escrita e adequá-la aos parâmetros da redacção web.

Tampouco devo esquecer que, da mesma forma que sucede com os blogues de outras pessoas, o meu teve a sua origem numa necessidade de comunicar. Por sorte para mim, esta necessidade ainda a mantenho, mas nos últimos meses surgiram-me outras formas de canalizá-la. Trata-se, porém, de projectos que requerem de mim maior atenção da que precisam os textinhos, artiguinhos e rarezas-feaks que periodicamente deixo por estas terras antano bravas e hoje bastante lavradas.

No tempo que geri MdU (abreviarei, que se não hei cansar), já disse que aprendi muito, mas também conheci muita gente (conheci gente que não conhecia, mas creio necessário dizer que, mália à contradição aparente, também conheci gente que já conhecia). Agradeço muito o tom amável de todos os comentários, já que penso que agás os do spam, mais do 90% foram benévolos (e isso que me esforcei por provocar, mas sem muito sucesso ;-).

E agora, fazendo paripé, abre-se a quenda/turma de perguntas:
1.- Porquê abandonas o blogue?
2.- Volveremos ler-te?
3.- Como valorizas os 18 meses com MdU?
4.- Combinamos para um café?

Como dizia Jack O Destripador, "imos por partes" X-D
1.- Desde que criei o blogue, as poucas ocasiões nas que o deixei algo 'dormido' foram por falta de tempo. Desta volta não sucede isso, já que tenho bastante tempo livre e (por desgraça para mim) em duas semanas terei ainda mais tempo livre, se nada o remediar (enviem as suas ofertas para madeiradeuz @ gmail .com ;-). Sucede que, como dizia acima, estas terras antano foram bravas (estavam cheias de uzes/urzes/vreixos/carqueijas), mas actualmente estão já bastante lavradas. Isto, traduzido, quer dizer que fui mudando a perspectiva desde a que originalmente escrevia o blogue... e mesmo nos últimos posts parecia-me estar regressando ao começo. Quando isto sucede, quer dizer que acaba um ciclo, polo que estimo finalizado o périplo por MdU.

2.- Creio que a estas alturas, todas e todos já sabeis onde me atopardes. A triste resposta para vós é que sim, continuareis tendo a possibilidade de me lerdes e escuit:: galiza, nação lusófonaardes por aí. No que tem a ver particularmente com os blogues, é seguro que volverei ter um espaço de meu, mas em todo caso seria com outro nome e com outra temática. Claro que isto último, o da temática, vai ser difícil de cumprir por culpa de um defecto meu: que sou demasiado meu. Quer dizer, todas as minhas iniciativas parecem ter um selo próprio doadamente identificável... nem sei onde é que está, mas está, e todos os meus rios acabam por dar ao mesmo mar.

3.- À vista das linhas anteriores creio que é evidente a minha valorização é muito positiva. Decerto, é o projecto pessoal do qual me enorgulho mais. E isso devo-vo-lo a vós em geral e a TI em particular.

4.- Por suposto, e tendes ao vosso dispor o meu endereço electrónico :-)

Noutro género de cousas, não deixa de ser irónico que anuncie a fim do blogue apenas uns dias após ter dito que o Blogger já borra os blogues que levam muito tempo inactivos por confundi-los com o spam. Também é paradoxal esta despedida vir após um bom amigo meu ter retomado o seu blogue por culpa da minha pressão.

Enfim. Nunca gostei dos posts quilométricos, e não gostava de este, por muito especial que for, ser a excepção à regra. Se mo permitis (espero que sim, já que ao largo destes meses mo permitistes quase tudo :-), queria reservar as palavras finais deste blogue para uma pessoa que é muito especial para mim.

Essa pessoa, foi durante 18 meses o motor de MdU, e foi-no por muitas razões. Sem sabê-lo, levou-me a criar o blogue. Já criado, ajudou-me a criar alguns dos posts. Quando me faltavam ideias deu-me inspiração ou directamente disse-me "podes pôr isto no blogue", também me ajudou com o redesenho gráfico, foi profundamente crítica com as falhas que ia vendo no blogue, fazendo com que as melhorasse o mais aginha possível... a lista de apoios teus ocuparia um blogue inteiro. É por ti e por vós que este blogue finaliza da seguinte forma: OBRIGADINHO!

Outubro 18, 2006

Blogger: primeiro disparo, depois pergunto

Um servidor de vocês, como tanta outra gente no blogomilho, tem um blogue no Blogger. E, como tanta outra gente, tive blogues anteriores que fui abandonando, e também criei alguns blogues de provas, principalmente para experimentar desenhos, gadgets novos, etc.:: blogger contra os sblogs

Pois bem, resulta no passado mês de setembro, num artigo da revista WiRed assegurava-se que mais da metade dos blogues são spam (lixo, escoura, perda de tempo), e que o famossíssimo Blogger hospedava até 100 mil spam-blogs.

Com efeito, isto constitui uma autêntica barbaridade e uma demonstração de até que ponto chegam os spammers para nos inundarem com a sua publicidade insulsa, para nos afogarem com URLs-lixo e para nos acabarem com a paciência. Neste caso, aumentando os tempos de demora dos servidores (porque um spam-blog é de tudo menos lixeiro) e ralentizando a navegação dos internautas de bem.

Quando no blogomilho soubemos dessa informação, houve opiniões para todos os gostos. Provavelmente foi o director de Código Cero, Marcus Fernández, quem melhor conjugou os dous pontos de vista críticos com o fenómeno.

1.- A culpa é dos próprios hospedadores, por não apagarem os blogues que estão inactivos ("os que se fazem por provar").
2.- Oxalá a prática dos spam-blogs não prolifere, porque do contrário "imo-lo passar mal para diferenciarmos a informação boa entre tanta publicidade fraudulenta".:: o blogger é um dos serviços mais conhecidos para criar blogues

Por suposto, também há pessoas (entre as quais me incluo) que, devido à nostálgia, não gostariam de que os seus primeiros blogues (em muitos casos feitos em parceria com gente que depois abandonou, ou criados em momentos de tanto fervor social como a maré preta do «Prestige») desaparecessem para sempre.

Seja como for, parece que Blogger decidiu tomar medidas. Salomónicas. Ontem mesmo, intentando aceder a um dos meus blogues secundários (secundário, mas nem muito menos "abandonado", "de provas" ou "spam"), vejo que a URL me leva a um ecrã de erro.

Intrigado, acesso a minha conta de Blogger, e baixo do nome do meu blogue vejo que a conta está desactivada e se desejo activá-la. Ao intentar reactivá-la, devo digitar uma série de campos (corresponde-se com a imagem que vistes umas linhas mais acima, à esquerda) e informam-me de que esta bitácora secundária é suspeitosa de ser um simples spam-blog.

Creio que é óptimo que Blogger/Google decida de uma vez por todas liberar os seus mastodônticos servidores de tanto lixo como devem ter, mas não devem(os) pagar justos por pecadores. Creio que a tecnologia dessa empresa deveria estar o suficientemente desenvolta como para diferenciar o spam de um blogue normal. E se a tecnologia falhar, ao menos um correio-e de advertência é o mínimo que podiam fazer e aforraríamos muitos sustos!

Outubro 16, 2006

Méndez Romeu, para-peito de delinquentes

O conselheiro da Presidência da Junta da Galiza, José Luis Méndez Romeu (o homem de Paco Vázquez em São Caetano) soma-se à vorágine de declarações que nos últimos dias vem saindo de todos os grupos políticos (e não só) sobre a cidade que dá no:: méndez romeume à província da Corunha.

O senhor conselheiro, num alarde de prepotência, assinala que não existe qualquer problema "para quem souber da história do nome da Corunha" (a cita não é textual, mas quase), ao tempo que afirma "não existir problema para lá do político" (idem).

Com efeito, senhor Romeu, não há qualquer problema para lá do político. Concretamente, para lá dos políticos do seu partido na cidade herculina, que levam dezasseis anos burlando os cidadãos e burlando-se das leis para imporem o seu critério e uma dupla denominação ilegal "La Coruña - A Coruña" (el burro delante para que no se espante, dizia a minha mestra de primá:: concelho da corunharia), quando não simples omissão do nome galego.

Pois bem. O conselheiro de Touriño advoga precisamente por essa dupla denominação, confirmando-se ou reafirmando-se como o já dito, o homem de Vázquez em São Caetano ou, como já têm dito alguns, um concelheiro da Corunha na Junta da Galiza.

Isto achega-se à solução final proposta polo pacovazquez-sismo.

Parece mentira que um governante, nem mais nem menos que o Conselheiro da Presidência da Junta da Galiza, utilize um argumento tão absurdo como "conflito político" para amparar os delinquentes que há no seu partido.

E digo bem delinquente porque, segundo o meu dicionário de cabeceira...


Delinquente adj. e s. Que, ou aquele que cometeu um delito, que delinquíu. Sinóns. Criminoso, culpado, reu [lat. delinquente].

E, ainda por riba, dar suporte a estes indivíduos chama-se prevaricação...


Prevaricar v. i. (1) Faltar, por interesse ou má-fé, aos deveres do seu cargo, do seu ministério: um juiz que prevaricou. (2) Abusar do exercício das suas funções, prejudicando os interesses alheios [lat. praevaricare].

E agora, dito tudo, cada boi a atirar do seu carro...

ADDENDA
A conto do mencionado por Méndez Romeu sobre a história do topónimo, colo aqui o fruito das minhas pesquisas passadas no TEMILG...

1242. “(...) soldo in pescado que adusso Johã Lourenzo de Neda. quen foy Lourenzo Eanes polo viño áá Crunia. deu .v. soldos para .III. bolsas de uino que beves? entramente oprior eos cóóygos (...)”.
1255. “(...) Johan marinno Notario Jurado del Rey en na Crunna fige ben e fielmente transladar verbo por verbo segundo que sobre dito e dun privilegio seelado del seelo de chumbo qual yo vj et qual el Rey don alfonso meu sennor mandou fazer en esta forma sobredita e por non ujnir en dulta o Concello da Crunna asseelou este traslado de seu seello et y o poño y meu nome et mea sinal”.
1257. “Eu, Martjn Eanes, notario, jurado do concello da Cruña, fuy pre?ente ? por mandado ? por octorgamento danbas las parte? (...)”.
1333. “Et he asi que eu Johan da Crunha sobredito en nome das ditas priora et convento do dito monasterio de Belvis, das quaes ey poder et soo procurador para estes por huun estromento de procuraçon feyto por Afonso Eanes (...)”.
1457. “Sepan quantos esta manda y testamento bieren como eu Roi xordo das mariñas, Regidor da cibdad da Coruña, estando sao e con saude e temendo a morte que he cousa natural (...)”.

O Powerpoint de Floyd Landys

O ciclista estado-unidense Floyd Landis soma-se aos que usam as TIC, ainda que neste caso para intentar demonstrar a sua questionada inocência sobre a acusação de dopagem no passado Tour da França.

No entanto, o que chamou a atenção foi o método escolhido para a sua defesa pública: uma apresentação em Powerpoint (isso sim, passada a PDF), igual que um aluno qualquer para expor um trabalho. No caso de Landis faz sentido, já que o norte-americano não fez os seus deveres com tempo.

Outubro 09, 2006

Reintegracionismo não praticante

Era sobejamente conhecida na Era Fraga o gosto polo ex-presidente de afirmar em Portugal e no Brasil (sobretudo no país americano) que galegos e lusófonos falamos a mesma língua, que partilhamos as mesmas origens e que formamos parte de uma mesma comunidade cultural... enquanto na Galiza predicava o contrário.
:: brasão de Bragança
Parece que mais uma das cousas que não mudaram com a alterância no poder é essa espécie de reintegracionismo não praticante nalgumas esferas da oficialidade. O último episódio que vim a conhecer é o acontecido no decorrer do pasado V Colóquio Anual da Lusofonia, celebrado na capital de Trás-os-Montes (Bragança) e dedicado ao nosso país.

O representante oficial da Junta da Galiza no evento, Xosé Carlos Sierra (delegado em Ourense da Conselharia de Cultura) surpreendeu (positivamente) a concorrência afirmando "não ter dúvidas de que galegos e portugueses falam afinal a mesma língua com evoluções históricas diferentes", e que as diferenças existentes são "o mesmo que acontece com o espanhol da Península Ibérica e o da América do Sul", entre outros exemplos.

Igualmente, Sierra acrescentou que desde o ponto de vista científico (quer dizer, desde a Filologia), galego e português pertencem à mesma família, sendo que o único debate é sobre se deveio numa língua diferente do galego-português ou se segue a ser a cepa original. Ainda, lembrou que esta discussão está em boa parte alimentada polo facto de existir uma fronteira, e ao mesmo tempo admitiu que "não agrada muito ao poder político a reivindicação (das origens da língua)".

Diante destas declarações, ocorrem-se-me duas perguntas:
  • seria o Sr. Sierra igual de contundente de fazer tais asseverações na Galiza?
  • o que aconteceria se todo o galeguismo/nacionalismo político tivesse tão clara a concepção do nosso idioma?
Animai-vos a responder, que estais na vossa casa !

Outubro 03, 2006

Minha casinha, meu lar (I)

Hoje começo uma série de posts onde falo de iniciativas nas quais colaboro com assiduidade, assim como as razões polas que o faço. Cumpre dizer que, de forma genérica, os lugares onde estou é porque acredito nos projectos, pois de outra forma seria-me impossível. Outra razão, mais pessoal, é porque me sinto cômodo com estas colaborações, e sempre me queda a mágoa de não poder-lhes dedicar tanto tempo quanto gostaria.

Eu comecei a minha colaboração no Portal Galego da Língua (familiarmente PGL) em Natal de 2005. Nos dous anos anteriores já tinha enviado algum artigo, esporádico, mas nesse mês de dezembro juntaram-se duas circunstâncias que me levaram para fazer bastantes colaborações em curto espaço de tempo.
:: capa do PGL
A primeira, que eu estava imerso numa dinâmica jornalística que me satisfazia no plano profissional, mas não no pessoal. E é que a maior parte das informações que eu fazia (sobre o 90 por cento) eram de temas que não me interessavam, e ademais devia redigi-las mormente em castelhano.

A outra razão, a possibilidade de dispor de bastante tempo livre como para diversificar-me e aproveitar sinergias: desde o próprio lugar de trabalho, na casa ou no centro de estudos, botar mão de um PC conectado a internet para colaborar.

Ao pouco tempo já me chamaram para colaborar, e a verdade é que agradeci fundamente o interesse na minha humilde pessoa. Para mim o PGL tinha e tem muitos atractivos. Desde o ponto de vista pessoal, posso exercer a minha condição de galego através do meu idioma e de forma normal. A temática tratada (língua e cultura, principalmente) é também o meu agrado, e sinto-me mais cômodo que com a actualidade política. Ademais, profissionalmente, trata-se de um meio digital, e eu levava muito tempo a querer fazer jornalismo em rede.

Eu creio no projecto do PGL porque sei que detrás está uma entidade como a Associaçom Galega da Língua (da qual, por certo, sou sócio) com a qual partilho posturas, e que se tem destacado polo seu compromisso com este em todos os âmbitos: natural, tecnológico, literário, científico... e linguístico, é claro. Em todos os campos, desde logo, tem feito mais que a sua homóloga institucional (cujo nome omitirei).

E também creio no PGL polo enorme serviço que está fazendo à comunidade linguística luso-galega, que tem no portal uma via sempre aberta para afundar no relacionamento das duas beiras do Minho, das duas bandas do Atlântico e da Lusofonia inteira!

Outubro 01, 2006

Uma história de Castros

Numa das minhas webs de referência, Chuza!, soubem da existência do Castro das Grobas, em Riba d'Eu. Igual que lhe acontece a muitos outros de todo o país, o das Grobas está praticamente esquecido. :: castro de Vila DongaAté o momento parece que houve pouco interesse por recuperá-lo. À desídia académica (pouco habitual) soma-se-lhe a institucional (por desgraça, mais frequente).

A verdade é que essa história me é muito familiar. Porém, creio que há casos bem piores e mais preocupantes. Por exemplo, o da minha freguesia.

Na minha paróquia também há ao menos um castro. Soube da sua existência de forma casual, perguntando ao meu pai (pola orografia, dava-me que devia haver algum).

O seu estado de conservação é toda uma incógnita. Que eu saiba, nunca foi escavado (nem, pois, espoliado). Os seus únicos vestígios visíveis, as pedras, foram reutilizadas para fazer valados (como em tantos outros casos).

Actualmente está dividido entre as duas leiras de duas famílias, e polo meio passa um carreiro que em tempos foi de terra mas que hoje em dia está asfaltado.

Numa outra freguesia vizinha também têm um castro. Nesse caso, sob uma leira de milho. O mais que se encont:: entrada ao castro de Coanharou, parece ser, foi um casco romano quando o paisano andava arando...

Nos dous casos anteriores, o castro está a salvo, baixo da terra, se não a sua estrutura ao menos sim outros elementos de grande valor histórico.

Porém, na capital do concelho haverá dez ou doze anos descobriu-se um castro nas obras para fazer uns edifícios. Paralisaram-se as obras, vieram arqueólogos para escavar um par de meses (ou talvez menos). Parecia existir a possibilidade de mais um museu no Concelho, embora tivesse de ser protegido de alguma forma especial, ao estar inserido num núcleo urbano.

No entanto, e igual que já temos visto tantas vezes ao largo da história do nosso país, este foi um sonho que logo se encheu tudo de formigão e de cimento. Como era de supor, Por suposto, os edifícios acabaram sendo construídos...

Setembro 30, 2006

Fundação ou Empresa... para a Sociedade do Conhecimento?

Leio que, bastante tempo depois das primeiras tentativas, por fim se apresentou publicamente a Fundação Galega para a Sociedade do Conhecimento. Nasce com o intuito de cumprir os (louváveis) objectivos de fomentar a coesão social ou melhor:: promotores da iniciativaar o sistema produtivo galego.

Em palavras dos promotores, o seu objecto é o seguinte:
A Fundación ten por obxecto o impulso, promoción e coordinación de actividades para a extensión e implantación de novas tecnoloxías da sociedade da información; coordinación de novos proxectos de investimento, así como a súa internacionalización; promoción e impulso da cooperación, favorecendo a competitividade das empresas galegas nos distintos mercados.
Mercados. Mas não estávamos a falar de uma fundação? As fundações não falam em mercados, falam em sociedade... Mas claro, se repararmos em quem são precisamente os promotores, começaremos a vislumbrar respostas.

Para lá das três universidade:: imagem tirada de http://conhecimento.incubadora.fapesp.brs galegas e da Junta encontramos Inditex, PSA Peugeot Citroën, Pescanova, Coren, R, Caixanova, Caixa Galicia e o Banco Pastor. O melhor de cada casa, poderia-se dizer!

Agora é quando fazem sentido outras das pretensões: "fomento dunha economía baseada no coñecemento"; "iniciativas que fomenten o crecemento económico sostible e a cohesión social" ou "acadar a excelencia competitiva e mellorar o sistema produtivo galego".

Realmente, a mim dão-me muito que desconfiar os integrantes desta Fundação. É mais, atentendo a uma outra das premissas ("promoverá a cooperación e interrelación do tecido empresarial e financeiro de Galicia co mundo académico"), não posso menos que lembrar a mercantilização e privatização do Sistema Universitário Galego (SUG).

Será que sou mal-pensado ou tudo isto cheira a estratégia das empresas para:
  • afundar na privatização do SUG?
  • lucrar-se com subvenções públicas?
  • obter publicidade de graça?
  • abrir a bilha de passo dos bolseiros e trabalhadores precários?
Por enquanto, dos seus princípios reitores não se alvisca muito mais. Creio que se trata de mais uma iniciativa estéril desde as origens, que nasce com muito bombo (institucional) e que ficará em nada. Neste país, as únicas cousas com jeito não saíram precisamente do eido institucional. Ao tempo.

Setembro 27, 2006

País rico, país pobre

Parafrasando o título da película «Homem pobre, homem rico», chamo a atenção para a situação da Galiza. É o nosso um país rico, muito rico, enormemente rico em recursos naturais, mas carece de capacidade de gestão sobre tais bens.

Podemos pensar, por exemplo, em que o nosso país é uma potência pesqueira. Pois bem, onde é que paga (mormente) os seus impostos o buque-insígnia do sector? Em Madrid.

:: tríptico paródico sobre as 'virtudes' de UFPodemos lembrar que a agricultura (ainda) tem um notável peso na estrutura económica do país. Sendo como é a produção láctea o sustém desta actividade, onde é que está o centro de poder das empresas leiteiras? Pistas: de todas quantas empresas operam no país, apenas duas têm capital maioritariamente galego.

Vaiamos agora para uma outra parte: à energia. Dentro desta, à energia (ora eoloeléctrica, ora hidroeléctrica). Pois bem, carecemos de empresas galegas de relevância: todas as grandes eléctricas têm capital forâneo, mesmo as que um dia (como Unión Fenosa) nasceram na própria Galiza.

Lendo as últimas novidades sobre as hidroeléctricas na Galiza, não posso menos que mostrar-me indignado pola inoperância dos poderes públicos e pessimista sobre o que pode esperar-lhe ao nosso país.

É uma enorme injustiça que a Galiza tenha uma das facturas eléctricas mais caras do Estado (se não a que mais), sendo como é excedentária em energia. O nosso país produz anualmente uns 30.000 Gigavátios-hora, dos que a quarta parte (sobre 8.500) vão para fora.

Madrid, região espanhola que apenas produz 3% da energia que consome, tem uma factura eléctrica muito menor que a galega. Porquê? Pois porque somos periferia, porque não somos conscientes da riqueza que temos e porque não estamos afeitos a reclamarmos o que nos pertence.

Se produzimos energia, deveríamos receber compensações... mas isto não sucede e, ainda pior, polos vistos a nossa factura eléctrica é das mais caras... polos custos de mantimento da infra-estrutura! Realmente a-lu-ci-nan-te, porque de outra forma não consigo explicar o mau estado de conservação de toda essa infra-estrutura ou as continuadas falhas no subministro...

O aumento do controlo de ACS não vai supor, desde logo, qualquer melhora para esta situação, para o cancro que implica que ano a ano paguemos mais por darmos mais e recebermos menos e pior. Isto, desde logo, num país civilizado provocaria protestos, mobilizações, indignação... e, realmente, o mais que consegue é, no melhor dos casos, a total indiferença.

Mais madeira

Salvemos o monte!


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Germolos